sábado, 26 de setembro de 2015

RENASCENDO SEMPRE


O passado vive em nós. Não vivamos nele. Cada dia é um novo dia. A cada dia podemos ser uma nova pessoa, melhor, com mais entendimento. Um upgrade do que fomos ontem. Desde que saibamos mastigar, sentir o gosto, entender cada sensação, digerir, absorver o que nos é saudável e deixar ir o que nos faz pessoas piores. 

Um detalhe que acho importante: normalmente vemos o que temos de pior nos outros. E tentamos nos livrar deles. Percebo que, ao contrário, o que temos de pior sempre está em nós mesmos. Lá no fundo, escondido, guardado. Quando alguém nos incomoda, é porque nos faz sentir esse nosso bem guardado segredinho, que está escondido até mesmo de nós próprios. É uma oportunidade para tentar nos entender melhor, tentar descobrir o que nos incomoda tanto nessa pessoa. Pois assim se descobre o que nos incomoda tanto em nós mesmos.


Os outros são espelhos de nossas almas. Sem eles, não temos como nos conhecer. Sem eles, não temos como nos autodeterminar. Sem eles não existimos. Não somos nada. Não passamos de meras reações caóticas.




sexta-feira, 18 de setembro de 2015

MOVAMO-NOS PELA BELEZA

Por Edson Vidigal

Infelizmente, a maioria das pessoas se move pelo medo. Medo de errar, medo de sofrer, medo de que aconteça de novo o que já aconteceu que não foi bom, medo de que não venha a acontecer o que se espera.
Medo de se decepcionar, de se frustrar, de se magoar, de magoar os outros, de se arrepender.

O medo nada mais é que a projeção, no futuro, de frustrações do passado. É contaminar o futuro, que ainda é leve, belo e promissor, livre de traumas, de emoções pesadas, com o passado, impregnado de coisas que não se quer mais.
Se não se quer mais, por que trazer consigo para o presente e transformar em medos para o futuro? Por que não deixar pra trás, onde foi necessário para o nosso crescimento e aprendizado?
O que passou não existe mais. Já morreu. Apenas pode nos servir como aprendizado. O futuro sempre é promissor. Desde que, como nos diz Nietzsche, tenhamos a capacidade de esquecer. Esquecer não é fingir que não viu. Empurrar pra debaixo do tapete. Seguir com aquilo tudo escondido dentro de si na forma de medos e terrores. Esquecer não é agir como se nunca nada tivesse acontecido. Esquecer é buscar entender o que passou, e deixar para trás o que não nos serve mais. Levar consigo apenas o que nos presta imediatamente à nossa ação.
O mestre Yoda sempre diz: “O medo é o caminho para o lado negro. O medo leva a raiva, a raiva leva ao ódio, o ódio leva ao sofrimento.”
Ao nos mover pelo medo, não agimos, apenas reagimos. Não tomamos atitudes, apenas revidamos. Ou seja, nos tornamos passivos, e não ativos. Perdemos as rédeas de nossas vidas, nossas escolhas. Passamos a ser meros aglomerados de reações doentias, meras respostas mal dadas.
Deixemos de nos mover pelo medo, que só nos aprisiona. Libertemo-nos do medo. Passemos a agir movidos pela beleza. A beleza que nos atrai. Que nos faz querer, que nos faz escolher, que nos faz seguir rumo ao que realmente nos importa. Que nos impulsiona para frente, ao contrário do medo que só nos prende atrás.
Um abraço apertado a todos vocês, meus amigos. Que todos consigam viver pela beleza, e sempre seguir em frente.

O AMOR INCONDICIONAL

Por Edson Vidigal

Faço aqui algumas reflexões sobre o amor a quem estiver amando, a quem já amou, a quem ainda quer amar.
Amor é justiça. É temperança. É dar e receber. Não existe amor sem expectativas. Não existe compromisso sem amor, nem amor sem compromisso. Para haver total entrega é necessário confiar e saber que se encontrará total acolhida. Um relacionamento de verdade depende de um amor de verdade e um amor de verdade depende de um relacionamento de verdade. Entrega total de um ao outro.
Um amor incondicional, sem esperar nada em troca, é aquele abstrato, impessoal, que se deve devotar a todos os demais indivíduos. Não funciona em um relacionamento a dois. Senão não haverá justiça. Um sempre dará mais do que está recebendo. E chegará uma hora que não conseguirá mais dar. Um amor incondicional em um relacionamento a dois talvez não passe de obcessão. Algo que só leva a traumas, a magoas, a faltas, a medos.
O amor incondicional é o que temos que ter por Deus, pela vida, por toda a humanidade, pelos animais, pela natureza, por coisas divinas. Esse amor é divino.
O amor entre homem mulher é humano. E como tal, é mortal, e precisa ser bem cuidado e nutrido, depende de trocas. De dar e receber. Claro que este amor nasce do amor divino, mas não sobrevive apenas deste. Pois não vivemos apenas no mundo do espiritual. Somos seres que habitam o mundo da matéria. Dela nos alimentamos, dela nos mantemos vivos para cultivar nosso espírito divino.
O amor entre duas pessoas tem que ser justo. Tem que haver comprometimento total. Total entrega de uma pessoa à outra. Tem que haver expectativas e que tais expectativas sejam supridas. Daí vem a confiança necessária para a entrega. A segurança necessária para que duas almas possam se tocar em um amor divino incondicional.
Apenas por meio da troca é que pode viver o verdadeiro amor entre homem e mulher. E isso se conquista se dedicando, cultivando, lutando, fazendo concessões, abrindo mão de algumas coisas para ter outras. Nada é de graça e não podemos ter tudo ao mesmo tempo.
Um relacionamento não existe sem compromisso. Um compromisso não existe sem amor. E o amor não existe sem justiça. Dar e receber na mesma medida. Pedir ao outro o que lhe falta, para que não se tenha que buscar em outros fora do relacionamento. Dar ao outro o que ele pede, para que ele não tenha que ir buscar tbm fora o que precisa. A falta de uma troca justa impele as pessoas a criar mil relacionamentos incompletos, mil carências físicas e dependências psicológicas, emocionais. Tornar-se infeliz e tornar muitos outros infelizes também.
Existem pessoas que acreditam em se amar incondicionalmente o outro em uma relação homem mulher. E aceitam tudo de seus parceiros. Aceitam a falta, os abusos, os excessos. Acham que conseguirão se doar a vida inteira àquela pessoa que tanto ama, de forma incondicional, sem receber nada em troca. E se doam, se doam, se doam, até não terem mais nada pra doar, além de um vazio imenso, de uma carência enorme, de um buraco na alma que talvez nunca mais seja preenchido. E tais pessoas acabam com os mesmos destinos. Ou manteem seus relacionamentos procurando fora deles tapar tais buracos, e com isso passam a se punir pois sentem que estão traindo, não só a pessoa que amam, mas a si mesmo e ao seu proprio amor incondicional, ou acabam se separando e depois carregando esse buraco consigo por toda a vida. Desacreditando no verdadeiro amor, na capacidade de dar e receber amor de forma justa, alimentando a esperança de encontrar uma hora alguém que lhe ame incondicionalmente da forma que antes amou, sem ser correspondido.
Pedir a alguém que lhe ame incondicionalmente é pedir para esse alguém que sofra por você. Quem já amou incondicionalmente sabe que sofreu. E que fez outros sofrerem. Pedir isso a alguém é cruel, e não levará a nada mais do que sofrimento para ambos. Pois quem pede, cria expectativas que não serão cumpridas. E quem dá, tenta sufocar as expectativas que naturalmente serão criadas, pois não somos espírito puro, somos também carne. E por isso precisamos de toque, de carinho, de afeto, de tudo o que nosso instinto espera receber de quem se ama, desde que nascemos, e somos amamentados por nossas mães.
Quem quer ser amado de forma incondicional, não percebe que está criando expectativas, e com elas, condições que impõe ao outro. Quem ama incondicionalmente, da mesma forma, diz que não tem expectativas, mas é impossível não te-las. Vai inevitavelmente se sentir preterido, não amado, menos amado do que deveria, tendo em vista o tanto de amor e sacrifício que se dá ao outro.
Não podemos exigir de seres humanos um amor incondicional em um relacionamento afetivo. Muitas vezes isso é apenas uma proteção ao medo que se tem de ser rejeitado. Exige-se demais de si e dos outros para ter certeza de que ninguém irá conseguir passar por tal prova, e assim nos mantemos em uma falsa segurança de que não precisamos nos entregar totalmente a uma pessoa que não nos merece, pois não conseguiu provar tal merecimento.
Penso que do amor comprometido, justo, cheio de expectativas e responsabilidade para supri-las, é que podemos nós, seres humanos, alcançar segurança e plenitude suficientes para alçar vôo rumo a um amor divino, incondicional, mesmo entre homem e mulher. Pois apenas quando ambos estiverem em sintonia total é que esse amor poderá acontecer. E essa sintonia não será possível sem troca. Sem dar e receber amor constantemente, a fim de que as energias de ambos se compatibilizem, se completem, se unam, passem a ser a mesma.
Um ponto mais relevante do que um amor incondicional é o companheirismo. O companheirismo não nasce da felicidade. Nasce do amor e cresce nas adversidades. Apenas nelas é que pode se fortalecer. Sem companheirismo, não existe também relacionamentos de nenhum tipo.
Enfim, penso que precisamos aprender a amar comprometidamente, de forma justa, como homem e mulher, e ao mesmo tempo, precisamos aprender a amar incondicionalmente, de forma impessoal, a todos os demais seres que nos cercam. E mesmo a toda a natureza que nos acolhe e mantém vivos.
Acredito que essa pode ser uma boa equação para se viver o amor de forma temperada, saudável, segura, e realizadora para cada um de nós e para todos.
Abraço apertado em todos vocês, meus amigos.

sábado, 14 de dezembro de 2013

ETERNAMENTE



Cada um que veio ao mundo, por menor tempo que aqui tenha passado, trouxe alegrias e deixou sorrisos, que se perpetuarão ao infinito, mesmo após o dia em que forem chamados por Deus.



* Edson Travassos Vidigal é advogado, professor universitário de Direito e Filosofia, músico e escritor. Assina a coluna A CIDADE NÃO PARA, publicada no JORNAL PEQUENO todas as segundas-feiras.


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Blog: edsontravassosvidigal.blogspot.com.br

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

MARIO CARRETERO: CONSTRUTIVISMO E EDUCAÇÃO




Quase todos os sistemas educativos inspirados no modelo ocidental conseguem despertar o interesse dos alunos nos primeiros anos, mediante, a apresentação de atividades que consigam ser motivadoras e que pareçam cumprir uma função importante em seu desenvolvimento psicológico geral.

Contudo, a partir aproximadamente dos 10 anos, os conteúdos vão se tornando cada vez mais acadêmicos e formalistas e se produz uma clara perda de interesse por parte dos alunos. Essa perda de interesse se intensifica na adolescência, produzindo uma ruptura entre os interesses habituais do aluno e os conteúdos e as atividades que lhe oferece o sistema escolar, sendo que estes, em sua grande parte, nada mais são do que resumos dos conteúdos universitários.

Surge, então, um fenômeno que se convencionou chamar “fracasso escolar”: não obstante o aluno possuir maior capacidade cognitiva e maior quantidade de informações sobre numerosas questões do que em idades anteriores, seu rendimento global e seu interesse pela escola costuma ser, em termos gerais, muito menor que nos primeiros anos.

Essa distância entre o que os alunos podem e têm interesse de aprender, e o que a instituição escolar lhes apresenta, dá ensejo às reformas educativas na maioria das sociedades contemporâneas. E dentro dessas reformas, surge a idéia do construtivismo, tema central de análise do livro do psicólogo espanhol Mario Carretero, “Construtivismo e Educação”, mormente no capítulo 1, “Que é conhecimento”, sobre o qual aqui teço alguns comentários.

terça-feira, 10 de setembro de 2013

A FELICIDADE


O que é a felicidade? Vários já tentaram defini-la no decorrer da história. Ela é algo que quando se alcança, perdura pra sempre? Ou é algo passageiro, um momento que se acaba?

Alguns dizem que tudo visa a um bem, e o bem maior é a felicidade. Assim, o que devemos buscar é a felicidade.

Não concordo com isso. Nenhum bem vai valer a pena nossa busca. Nenhum bem vai resolver nosso problema fundamental, nossa carência, nossa falta.

Ao buscarmos a felicidade, acabamos colecionando momentos efêmeros, que se vão, e que, ao irem, deixam uma sensação maior ainda de falta. De falta do que já se teve e não tem mais, e de falta do que ainda não se teve. Buscar um bem nos faz sermos escravos deles, viver em busca de bens, que são infinitos.

A felicidade é um bem inalcançável, porque enquanto queremos ter algo, esse algo nos falta. Enquanto nos falta, não é possível ter. Se, por acaso conseguirmos “ter” esse bem, ainda existe a falta, pois não somos esse bem. Ele é diferente de nós, não faz parte de nós.

Devemos buscar o que nos falta. O que suprirá nossa carência. O que suprirá nossa carência é a completude, não a felicidade. Enquanto formos incompletos, sofreremos com a falta. Seremos carentes. 

Buscar a felicidade é uma ilusão. É tentar tampar o sol com uma peneira.

Não devemos querer “ter”. Devemos querer “ser”. Enquanto nos sentirmos separados do resto, sofreremos. Enquanto quisermos ter mais e mais coisas, sejam materiais, sejam ideais, sofreremos.